NÚMERO DE IMIGRANTES EM ABRIGO CAI QUASE 60% EM 6 MESES NO ACRE

10/11/2015 12:36

 

Abrigo conta com pouco mais de 180 imigrantes; em maio eram 1,4 mil. Segundo coordenador, o aumento da emissão de vistos foi o fator principal.

 

 

O número de imigrantes no abrigo, montado em Rio Branco, vem caindo ao longo dos meses. Em maio deste ano, por exemplo, eram 1.414 pessoas, entre haitianos e senegales, no abrigo. Já em outubro, esse número caiu para 576, uma redução de 59% em seis meses.

A explicação para essa queda, segundo um dos coordenadores do abrigo, Antonio Carlos Crispim, está no aumento da emissão de vistos. "O governo federal reforçou a equipe e aumentou a quantidade de vistos emitidos em Porto Príncipe, no Haiti", afirma.

Ele explica que a média de emissão vistos era de 100 por mês, mas a partir de julho aumentou para cerca de 800. 

Entrada maio

Entrada junho

Entrada julho

Entrada agosto

Entrada setembro

Entrada outubro

1.414

1.163

951

769

581

576

O abrigo coordenado pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Secretaria de Direitos Humanos pode comportar no máximo 240 pessoas. Mas no primeiro semestre de 2015 a quantidade de obrigados era 5 vezes maior.

Com a lotação o abrigo teve banheiros quebrados e a limpeza de todo o espaço era dificultada, segundo Crispim.

"Com a redução conseguimos reformar os banheiros e manter a limpeza com freqüência. Todo o ambiente agora está bem agradável e digno de atender os imigrantes", comenta.

No abrigo, os imigrantes recebem três refeições diárias além do transporte para outras cidades do país. No final de outubro, o governo renovou o contrato com uma empresa de ônibus, no valor de R$ 600 mil, para realizar 14 viagens até o dia 29 de fevereiro de 2016. Daqui, os imigrantes podem seguir para Porto Velho, Curitiba, São Paulo, Porto Alegre, Campo Grande e Cuiabá.

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'Falta emprego para as pessoas da minha terra', diz senegalês

Magatte Ndiaye, de 22 anos, é um dos senegaleses que está no abrigo há duas semanas. Sem família no Brasil e sem previsão de quanto tempo ficar, ele espera trabalhar em São Paulo para enviar dinheiro para os pais. 

"Hoje no Senegal não há mais guerra, estamos num momento de paz,mas também vivemos um grande problema econômico. Falta emprego para as pessoas da minha terra", relata.

Em seu país trabalhou como comerciante, mas está disposto a qualquer emprego.

Magatte Ndiaye, de 22 anos, é um dos senegaleses que está no abrigo há duas semanas (Foto: Daniel Scarcellos/G1)

Só em 2015, foi registrada a entrada de mais de 7 mil pessoas no estado. Até abril de 2014, os imigrantes eram abrigados na cidade de Brasiléia quando um abrigo foi alugado na capital para hospedá-los.

A maioria são haitianos que deixou a terra natal, desde 2010, quando um forte terremoto deixou mais de 300 mil mortos e devastou parte do país.

Mas hoje, com problemas sociais e econômicos, imigrantes do Senegal e República Dominicana também vêm para o país.

Rota de imigração

Imigrantes chegam ao Acre todos os dias através da fronteira do Peru com a cidade de Assis Brasil, distante 342 km da capital.

A maioria são imigrantes haitianos que deixaram a terra natal, desde 2010, quando um forte terremoto deixou mais de 300 mil mortos e devastou parte do país. De acordo com dados do governo do estado, entre 2010 e maio de 2015, mais de 38,5 mil imigrantes entraram no Brasil pelo Acre.

Eles vêm ao Brasil em busca de uma vida melhor e de poder ajudar familiares que ficaram para trás. Para chegar até o Acre, eles saem, em sua maioria, da capital haitiana, Porto Príncipe, e vão de ônibus até Santo Domingo, capital da República Dominicana, que fica na mesma ilha.

Lá, compram uma passagem de avião e vão até o Panamá. Da cidade do Panamá, seguem de avião ou de ônibus para Quito, no Equador.

Por terra, vão até a cidade fronteiriça peruana de Tumbes e passam por Piura, Lima, Cusco e Puerto Maldonado até chegar a Iñapari, cidade que faz fronteira com Assis Brasil (AC), por onde passam até chegar a Brasiléia.

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